raquelkogan
5x4x3x (com Lea van Steen)


2010

 

continuum 2010
live cinema 2010
funarte são paulo 2011

5x4x3x é uma vídeo–instalação produzida por reflexão, a sua visualização acontece através da reflexão da luz em espelhos manipulados pelos visitantes.

“Os espelhos
estão cheios de gente.
Os invisíveis nos vêem.
Os esquecidos se lembram de nós.
Quando nos vemos, os vemos.
Quando nos vamos, se vão?”

Espelhos Eduardo Galeano

De acordo com a história do ocultismo, catoptromancia (suposta arte de adivinhar com a utilização de espelhos), o espelho estaria dotado de propriedades mágicas, que nos revelam um portal para outras realidades, invertidas ou transcendentes. Na instalação a imagem só é vista nas paredes do espaço através da manipulação dos espelhos pelo visitante, surpreendendo-o, não só por ver qual e onde as imagens decorrentes de sua ação estão sendo projetadas; como a dimensão, sobreposição, inversão, velocidade de locomoção destas, assim como a percepção do próprio corpo e de outros no espaço expositivo. Uma nova maneira de ver e projetar, transformando o visitante em diretor, roteirista de não só das imagens por ele manipuladas, mas uma co-produção em tempo real com as imagens projetadas, fragmentadas e movimentadas por outros no espaço.O espelho é a prótese para o estímulo visual, o veículo de passagem de informações da narrativa em construção.

O visitante ao entrar no espaço de 8x8m e de pé-direito variável, o chão de carpete preto e paredes brancas, se depara com 5 projetores, colocados em roda, a uma altura de 1m, todos voltados ligeiramente para baixo e projetando para o centro da sala, cada qual com um vídeo diferente de 5 minutos em looping (temas urbanos diversos: edifícios, ruas, pedestres, vitrines, pixações).

Na entrada o visitante recebe 1 ou 2 espelhos com moldura, de tamanhos diversos, se dirige para o meio da roda de projetores e, começa a interagir com a luz proveniente dos projetores e desta maneira levando as imagens para o espaço expositivo, segundo seu desejo e movimentação - definimos espelho toda superfície regular capaz de refletir a radiação luminosa incidente, superfície esta que fornece uma imagem virtual correta, invertida (ou simétrica), especular (de tamanho igual ao do objeto refletido), que no caso da instalação varia segundo parâmetros do público no espaço expositivo, resultando em imagens sobrepostas, lado ao lado, e mais, criando narrativas diferentes para as imagens originais. A imagem especular não é uma duplicata do objeto projetado e sim uma duplicata de sua emissão luminosa, o espelho registra aquilo que o atinge de forma como o atinge, ele não interpreta, apenas edita.

5x4x3x is a video-installation produced by reflection, its visualization occurs through light reflecting in mirrors manipulated by the visitors.

“Mirrors
are filled with people.
The invisible see us.
The forgotten remember us.
When they see us, we see them.
When we go, do they?”

Mirrors Eduardo Galeano

According to the history of occultism, catoptromancy (the supposed art of divination through the use of mirrors), endows the mirror with magical attributes that reveals a doorway to other, inverted or transcendent, realities.

In the installation, the image is seen on the walls of the space only when the mirrors are being manipulated by the visitor, surprising him, not only upon seeing which images and where the results of his action are being projected; such as the dimension, the overlapping, the inversion, the speed and the movement of these same, but also the perception of his own as well as another’s body in the exhibit space. A new way of seeing and projecting, transforming the visitor into director, scriptwriter not only of the images he manipulates, but also in a real-time co-production with the moving and fragmented images projected by others in the space. The mirror is the prosthesis for visual stimulation, the vehicle that transmits the information of a narrative in construction. Upon entering the 8x8x3m space, of a floor covered in black carpeting and white walls, we encounter 5 one-meter high projectors, placed in a circle, all slightly turned down and facing towards the center of the room and each having a different 5-minute looping video (various themes: buildings, streets, pedestrians, showcase windows, graffiti.

At the entrance, the visitor receives 1 or 2 framed mirrors, of varying sizes, heads to the center of these projectors and begins to interact with the light that they emanate and, in this way, projects the images onto the exhibit space, in accordance with his will and movement – we define mirror as the total regular surface capable of reflecting the incident bright radiation, a surface that supplies a virtual image that is correct, inverted (or symmetrical), a mirrored reflection (of a size equal to the reflected object), which in the case of this installation varies according to the parameters of the public in the exhibit space, resulting in overlaid, side-by-side images and, additionally, creating different narratives for the original images. The reflected image is not a duplication of the projected image, but rather a duplication of the emitted light, the mirror registers that which hits it in the manner that it hits, it does not interpret, merely edits.